segunda-feira, 21 de junho de 2010

Pela oitava vez, a primeira vez

Desta vez eu fiz diferente: não saí por aí anunciando aos quatro ventos, não planejei. A roupa já tinha virado uniforme de casa mesmo, então eu já estava até vestida para a ocasião. Apenas calcei o tênis e fui. Também não quis as mesmas coisas de antes: musculação, jump, natação, dança, hidro, pilates, Power bike... tudo foi tentativa frustrada. Necessitava de algo funcional à sensação que tenho depois de uma hora malhando: raiva, muita raiva. Essa história de que atividade física libera endorfina, hormônio do prazer e bem estar, não funciona comigo. Balela. Mas voltei mesmo assim. Dessa vez a escolhida foi Body combat. Talvez chutes, cotoveladas e pontapés sejam necessários ao meu estado de espírito sequencial.

Então a estreia é sempre parecida: Entro na sala, todos naquela maior intimidade, praticamente amigos de infância. Uma aula está acabando para começar a minha. Sempre tem aquelas figurinhas típicas: a gostosona com a parte de cima do biquíni exibindo o silicone, a gordinha esbaforida (essa podia até ser eu), a miss simpatia que fala alto e conhece todo mundo, o menino magricela, a senhora esticada, e garota mais ou menos normal. Ah, os grandalhões que puxam ferros ficam em outras alas.

Ao meu lado um trio de moças conversam sobre personal trainer, falam da diferença que esses profissionais fizeram em suas vidas e de como seus corpos eram antes desses deuses milagrosos. Eu ali, invisível. A aula acaba e o professor muito simpático se aproxima das meninas, conversa, faz piada, e eu ali já rezando pra alguém me dar pelo menos boa noite, querendo já ir embora. Felizmente o professor se aproxima e pergunta se é a primeira vez. “É sim professor, pela oitava vez, a primeira vez”. Ele me pergunta há quanto tempo eu estou “parada”, e fica estarrecido quando eu respondo que há dois anos. “Então você está zerada? Paradona mesmo?” “É professor... Quer dizer... Ah, às vezes eu ando na esteira, me movimento um bocado no dia a dia...” O sujeito me olhou com cara de pena, achando que zerada como eu estava, não ia conseguir participar da aula até o final. Todos me olhavam de canto de olho, incrédulos com o meu sedentarismo.

Mas eu não desanimei, afinal minha vontade de socar o vento aumentava cada vez mais. O professor disse que eu precisava de uma garrafinha d’água. 40 paus uma garrafinha na lojinha da academia, preferi comprar uma garrafinha comum de água mineral (espero) a R$1,20. Água é água. Quando volto a sala, o bonitinho diz que esqueceu os CDs do Body Combat, "então vamos fazer Jump". Ai que ódio! Eu odeio jump, tenho a sensação que vou cair daquele mini trampolim a qualquer momento. Mas não ia fazer feio aquela altura do campeonato. O professor acabou incluindo no jump alguns movimentos de Combat, e no alto da minha fúria, ao som de Black Eyed Peas, até que me saí bem: meio humilhada com a disposição da siliconada, mas cheguei até o final. E até ganhei um simpático parabéns do professor!

Saí da academia pronta com meus golpes ensaiados para atacar o primeiro ladrãozinho que viesse me assaltar. Como nada demais aconteceu no caminho de volta, cheguei a casa e acabei atacando uma colher de brigadeiro mesmo... Mas tenho fé que dessa vez a coisa se encerre pelo menos ao fim do primeiro ciclo (três meses), que já está pago.

19 comentários:

  1. Isa,

    Tá me doendo a barriga de tanto rir. Muito bom esse texto. Dá pra ver exatamente as cenas que tu descreve: a chegada no ambiente novo, as relações já estabelecidas, as siliconadas, os marombados, etc.
    Acho que já disse que também não consigo fazer musculação. Já forma várias tentativas frustradas. Pago, faço duas semanas e troco a atividade por qualquer outra coisa mais interessante, o que não é difícil de encontrar. Pode parecer estranho vindo de um professor de educação física, mas prefiro mil vezes um livro ou praticar um esporte do que ficar levantando peso.
    Atividades aeróbicas com música são melhores mesmo. Espero que dessa vez tu não desista. Exercício faz bem à saúde e libera "endorfina"...rs

    Bjs

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  2. Correção - onde escrevi: já "forma" várias tentativas...leia-se: já foram várias tentativas.

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  3. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Boa, Isa!

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  4. Nossa, Isa...Adorei também!!! Eu meio que tenho pânico de academias, sabe? Vc descreveu perfeitamente a sensação que eu mesma tive muitas vezes ao entrar em uma aula qualquer. Eu tenho tentado caminhar e correr na rua...TENTADO! E nem sempre conseguido!! Adorei seu post!! ADOREI!! bjs

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  5. Também estou precisando de academia. Subo uma escada e me sinto todo quebrado... Mas, ao menos pra mim, fazer exercícios em meio aos marombados e siliconadas é o troço mais chato do mundo!...

    Este seu texto não parece da Martha Medeiros; parece do Luiz Fernando Verissimo... Mas não tem problema: os dois são bons.

    Abçs e siga firme para ficar "sarada" (rsrs)

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  6. Estou passando por algo parecido com você.. haha

    estou na academia pela primeira vez a dois meses, e bom, só fui duas semanas na academia, e é estranho, porque quando estou lá, até que me sinto bem, porém, quando volto para casa, é uma coisa estranha.
    Mais enfim. A cada dia que passa, digo, acredito que irei mudar, e vou passar a frequentar diariamente...

    Beijos

    Amei sei blog. Coloquei lá na minha lista do UpiDupi.
    Obrigado pela visita.

    Beijos

    Leo

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  7. Obrigadinha, queridos!

    Bem vindo, Leo!

    Fernando, é que eu tenho várias facetas! rsrsrs... Será que um dia eu faço um texto parecido só com meu lado A??? rsrsrs. Valeu! Bjs!

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  8. CHOREI DE RIR E MAIS PUDE IMAGINAR CADA CENA.CARACA, DETESTO ACADEMIA. AS PESSOAS SEMPRE ME DISSERAM QUE AMAMENTAR EMAGREÇA ATÉ FAZENDO ISSO EU ENGORDO.KKKKKKKKKKKKKKK SEUS TEXTOS SÃO MUITO, MUITO BONS ADORO

    DANI GORDINHA

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  9. IsaBele, menina, nada como compartilhar as experiências! E eu que pensei que todas essas sensações só aconteciam comigo porque, ora bolas, eu e as gatinhas das academias somos bem diferentes em tudo (sem silicone, sem cabelos louros, sem a mesma idade). Eu sempre me sinto peixe fora d'água e tenho a sensação de que todos ali, todos mesmo, são intimérrimos, amigos de infância e eu... com mais gordura no corpo do que as saradonas, com mais preguiça que todas... ótimo seu post. Assim como o Max, desisti faz tempo da musculação. Não gosto, não gosto e não gosto. Difícil demais fazer algo que me sinto mecanicamente fazendo. Não sou eu. Difícil incorporar no cotidiano os exercícios físicos, né? Ai, ai, ai. bjos linda. Nos vemos em julho no PROINFANTIL?

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  10. Ai, Dani, provavelmente eu tbm sofrerei deste mal... Até de pensar eu engordo! KKKKKKKK!!!! Mas não desista, amiga. Quer malhar comigo??? Seria bom ter uma companhia nesses momentos de sofrimento...rsrsrs Bjão!

    Difícil mesmo, Dri. Já tentei me enquadrar em várias atividades, mas sempre acabo desistindo. Mas quem sabe dessa vez dê certo?
    Nos veremos sim, em julho! E adorarei revê-la depois desse tempo! Bjão!

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  11. É amiga...eu que passei praticamente 1 ano enfiada em uma academia 8h por dia consigo entender bem esses personagens!

    Depois de meses parada, consegui voltar para o Pilates...mas acho que vc não conseguiria amiga, é muito paradinho! rsrsrs

    Mil beijossss

    Ps: Vencendo as minhas barreiras "blogais" por vc amiga! rsrsrsr

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  12. Brigada, amiga! É por isso q t amo!

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  13. Ai, amiga, desejo que você consiga! Espero um dia conseguir também....Você é mais do que uma siliconada marombada. Sua sensibilidade, seus neurônios, sua amizade, valem mais do que qualquer barriguinha sarada!

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  14. Li o seu texto e sabe que me deu saudades do tempo em que eu malhava. O ambiente de academia tem seu próprio ritmo e alberga vários tipos humanos. Gostei do seu estilo, uma forma bem descontraída e humorada de narrar situações quotidianas. Um grande abraço.

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  15. Renatinha, fofa! Eu sei que tenho meu valor amiga... rs, mas uma barriguinha em dia ajuda, vai! rs Bjoks!

    David, a academia tem de tudo mesmo, mas as figuras citadas são a maioria esmagadora, não é? Por isso ainda me sinto meio descolada.... rs
    Seja bem vindo, querido. Abçs!

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  16. Isabele,

    vai dar certo...
    Também vou e volto o tempo todo... só que menos radical... YOGA e PILATES...
    Agora, to no PILATES e amando... recebendo atenção invidualizada...
    Bjs,
    Cíntia

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  17. Ai, que chique Cíntia! rs Um dia eu fico ZEN assim... Bjs!

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  18. Gostei muito da tua história. Como tu já tinha praticado várias modalidades, mas pouco ou nada me motivaram, talvez Bike- um pouco. Mas um dia resolvi averiguar o site do Ginásio da Zona, olhei, comparei e vo body combat, timha feito uma aula já lá iam muitos anitos. Resolvi nesse memo dia me inscrever e fazer logo a aula, senti o que descreves, poi a um ano e meio que não faço nada ou muito pouco. Estava só, apenas a professora fez-me a mesma questão que a ti, fiz a aula e não me sai assim tão mal. Não ataquei a colherada de brigadeiro, mas apetecia-me atacar alguém. Mas fiquei quietinha e continuo, adoro o BodyCombat.

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