quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Lost in Translation

(por Fernando Vieira)

Lost in Translation, de Sofia Coppola, é um filme cheio de beleza e sentido. O título em português é Encontros e Desencontros, mas este é um caso em que o nome original confere muito mais com o roteiro (na maioria das vezes é assim). Até porque os personagens centrais estão mesmo perdidos, não só na tradução do japonês para o inglês, mas em seus respectivos casamentos. Charlotte casada há dois anos; Bob Harris já com vinte e cinco anos de estrada. Mas os dois estão precisamente na mesma situação: sozinhos e insones. Então eles fazem companhia um ao outro.

A esposa de Harris está preocupada com o aniversário do filho, a cor do tapete, a cor do escritório, o show de balé da filha – e tudo isso (diga-se de passagem) é preocupação louvável. Talvez ela somente tenha esquecido que, além de filhos, casa e tapete, também existem maridos e estes são tão importantes quanto as crianças e a casa. O marido de Charlotte está preocupado com bandas de música, amigas de ocasião, trabalho, viagens, e está sempre com uma pressa incrível. Também não há nada demais em gostar de trabalhar e ser prático, rápido. Talvez ele somente tenha esquecido que, além do trabalho e das colegas bonitinhas, também existem esposas e estas merecem no mínimo o mesmo carinho dedicado à profissão.

E como estão sozinhos e são pessoas interessantíssimas, Bob e Charlotte se apaixonam. Um amor lindo, sensual, sensível, mas que não se realiza... Porque se houvesse namoro de verdade, estragaria tudo: eles eram casados e não estavam ali para ludibriar maridos e esposas. Simplesmente estavam ali, perdidos na tradução, unidos pela insônia. Então eles se dão carinho mútuo, amor recíproco, diálogo, ombro, abraço, atenção, tudo que, por vezes, vale muito mais do que os rituais de penetração. Desde o momento em que se conhecem e se atraem, eles fazem companhia um ao outro, e a viagem deixa de ser enfadonha e cansativa para tornar-se uma das mais belas histórias de amor.

Some-se a tudo isso o fato de o filme ser bastante engraçado. Bill Murray mereceu a indicação ao Oscar, pois, além de nos emocionar na interpretação de um homem educadíssimo (os homens normalmente são mal educados), leva-nos também a boas gargalhadas. Scarlett Johansson está incrivelmente sensual com seu olhar lindo e perdido, sempre molhado de lágrimas.
Mas vamos lá. Uma obra de arte sempre possui uma mensagem fundamental, não é mesmo? E qual seria a mensagem deste filme? Bom... Parece o seguinte: vocês, esposas, nunca pensem que seus maridos são seus, que eles estão à disposição e já não merecem tantos cuidados assim. E vocês, maridos, nunca pensem que suas esposas são suas, que elas estão à disposição e já não merecem tantos cuidados assim. Ninguém é propriedade de ninguém; todos têm sentimentos, coração, emoção. Todos precisam deste combustível essencial que é a demonstração de amor, sem a qual as relações se exterminam.

Bob Harris se mostra com uma dignidade quase anormal. Pouquíssimos homens se deitariam com uma menina linda, carente, sensível, sem pelo menos beijá-la. Mas ele o faz, ou melhor, não faz. Não beija, não namora; deixa para namorar uma mulher que não tem um pingo de significado para ele. E por que não a Charlotte, se era ela o objeto do verdadeiro amor? Porque ela era sensível, nova, carente, e casada. Portanto o filme mostra, de modo muito original, que a gente até pode enlouquecer um pouquinho, a gente até pode de repente querer jogar tudo para o alto. Mas daí a colocar tudo em prática, as coisas passam forçosamente pela questão do caráter.

E é por isso que Bob Harris volta para casa, para a esposa Lydia e seus filhos. E Charlotte fica ainda no Japão, com seu marido apressado e vazio.

Não há, porém, nenhum tipo de garantia. Pode acontecer que amor e admiração de repente se juntem para se sobrepor à responsabilidade, levando-nos à formação de uma jazz band.

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9 comentários:

  1. Infelizmente já ouvi maridos dizendo assim.Agora ela é minha não preciso ficar mimando mais não.
    Uma das coisas tolas que dizem os machões que quando viram as costas sabe lá o que ganham...rsrsrs
    Bjos achocolatados

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  2. Não vi não... ultimamente só tenho visto uma bobagens boas do tipo Toy Story, Origem (que nem é bobagem na minha opinião). Boa dica lindinha!

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  3. É vero, Sandra. E nós mulheres também precisamos cuidar de nós e de nosso amor, não obstante todos os compromissos da vida de gente grande.
    Outros beijos açucarados, lindona!

    Ah, Dri! Toy Story, sobretudo o último, não tem nada de bobagem! "Origem" eu ainda não assisti...
    Encontros e Desencontros vale mesmo a pena assistir, faço minhas as palavras do escritor aí de cima.
    Beijão, bonita!

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  4. Obrigado por me trazer para o seu espaço.

    Bjs!

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  5. Adoro um bom filme. Principalmente quando são sobre casais! Vou assistir este aí!



    Abraços!

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  6. passando por aqui, para lhe desejar um final de semana doce feito chocolate.
    bjos achocolatados

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  7. vi o filme é batante delicado e perigoso para corações entregues a paixões

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  8. Me parece o tipo de filme que vale a pena sentar, assistir e principalmente, refletir. Adorei a mensagem e realmente acho que seja verdadeira. Apesar de clichê gosto da frase que diz: "Quem não dá assistência perder pra concorrência", acho válido lembrar-se da mesma diariamente. Bjs

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  9. Realmente isso acontece com muitos casais, por estarem juntos, acreditam ser dono do outro, ou que não precisa mais dar carinho e atenção... Cuidar do sentimental.
    Aí é onde está o grande engano...
    O amor é uma plantinha, precisa ser regado e com muita dedicação...
    Linda a história do filme... É um exemplo a ser seguido...
    Belo post!
    Obrigada pela visita e palavras de carinho...
    Uma linda semana para ti.
    Bjos!!

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