
Essa semana me apareceu um texto da Martha Medeiros, em que ela fala que, de todos os sentidos, o que mais lhe faria falta seria a visão, por “N” razões óbvias, ou não. Deve realmente ser uma aprendizagem e tanto saber enxergar sem ter olhos... Daí fiquei pensando (e ela também disse) que nós também somos bastantes cegos, e com os dois olhinhos em “perfeita” saúde!
Acostumamo-nos tanto com nossos olhares, com nossas janelas e paisagens, e tudo se torna tão parte do nosso cotidiano, sendo até mesmo uma extensão do nosso próprio “eu”, que acabamos por não encontrar espelhos que caibam todas as nossas coisas. E não conseguimos olhar o que há de realmente importante em nós mesmos. Talvez por conta de todas essas outras coisas que precisamos acoplar em nosso "eu", porque queremos ser sempre mais – mais grandiosos, mais bonitos, mais felizes, mais loiras, mais altas, mais ricos, mais inteligentes, mais, mais, mais – acabamos nos sentindo tão gigantes, a ponto de não conseguirmos nos olhar nus, tal como somos. Olhar para as nossas pequenezas, para as nossas feridas, cicatrizes, e olhar também para toda a beleza que pode haver em nosso pequeno ser.
Não é nada fácil olhar-se no espelho, de perto, cada poro dilatado, sem todas as máscaras e fantasias que nos esconde durante todo o tempo. Encarar-se e ouvir o que o espelho diz...
Mas precisamos aprender a ter olhos para olhar para dentro. Olhar o avesso. Olhar o espelho. Olhar os outros é sempre mais fácil, mas olhar a si mesmo e conhecer-se, com todas as feiúras e bonitezas que há, nos ajuda a entender um pouco as feiúras e bonitezas do outro. Aprendendo a olhar para dentro, a gente acaba aprendendo a olhar com mais carinho para fora. E talvez as coisas possam até parecer mais feias do eram antes, mas também podem ser mais bonitas. Tudo vai depender do que você olha, e como você olha.
